A largada informal para a disputa por vagas na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte já começou no Seridó. Como de costume, o tabuleiro regional mistura tradição, sobrenomes conhecidos, capital político acumulado e apostas que tentam se apresentar como novidade — ainda que muitas delas carreguem raízes profundas.
Entre os nomes consolidados, o deputado estadual Nelter Queiroz surge como uma referência difícil de ser ignorada. Com longa trajetória e base eleitoral sólida, especialmente no interior, Nelter representa um tipo de político cada vez mais raro: aquele que construiu capital político de forma contínua, sem depender exclusivamente das ondas momentâneas das redes sociais. Sua força reside menos no discurso e mais na presença, no trânsito entre prefeitos, vereadores e lideranças comunitárias, o que o coloca em posição confortável no cenário atual.

Outro nome que aparece com musculatura eleitoral é o do deputado Adjuto Dias, que vai para a reeleição respaldado não apenas pelo mandato, mas também pelo peso do sobrenome que carrega. Filho do ex-prefeito de Natal, Álvaro Dias, Adjuto representa a conexão entre a política da capital e o interior, algo que costuma render dividendos eleitorais. Ainda assim, sua performance dependerá da capacidade de manter visibilidade e ampliar sua base para além dos redutos tradicionais.
Mas é no campo das movimentações recentes que o cenário ganha nuances mais interessantes. O ex-prefeito de Caicó Bibi Costa desponta como um nome que surpreende parte dos observadores. Irmão do deputado estadual Vivaldo Costa, Bibi tenta transformar sua experiência administrativa e seu capital político local em um projeto estadual. Diferentemente de candidaturas construídas apenas no calor do momento, sua trajetória oferece um ativo relevante: conhecimento do funcionamento do poder público e articulação regional. Em eleições proporcionais, esse tipo de perfil costuma render mais do que aparenta à primeira vista.
Já a deputada Terezinha Maia, que busca a reeleição, enfrenta um ambiente mais desafiador. Embora não se possa subestimar quem já ocupa mandato, há no meio político quem aposte em dificuldades maiores nesta eleição. Ainda assim, como ensina a velha máxima — repetida à exaustão, mas raramente desmentida —, política é como nuvem: muda de forma, direção e densidade em questão de dias.
No conjunto, o Seridó apresenta um cenário que combina estabilidade e expectativa. Se alguns nomes caminham com relativa segurança, outros apostam na memória administrativa e no capital simbólico construído ao longo dos anos. Nesse contexto, figuras como Nelter Queiroz, pela constância, e Bibi Costa, pela capacidade de articulação regional e legado político, parecem compreender melhor que eleições não se vencem apenas com barulho, mas com lastro. E, no fim das contas, é isso que costuma pesar quando a nuvem baixa e os votos são contados.
