Justiça bloqueia 48 imóveis e R$ 500 milhões atribuídos ao PCC em investigação sobre a Cracolândia

Créditos/Renan Porto/Metrópoles

A Justiça de São Paulo determinou o bloqueio de um patrimônio milionário supostamente ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). A decisão atinge 48 imóveis localizados no Rio Grande do Sul, além de aproximadamente R$ 500 milhões mantidos em contas bancárias associadas à organização criminosa.
De acordo com o Ministério Público de São Paulo (MPSP), os bens teriam sido adquiridos com recursos provenientes do tráfico de drogas na região da Cracolândia, no centro da capital paulista — área historicamente marcada pela atuação do crime organizado.
As apurações são conduzidas pelo Grupo de Atuação Especial de Persecução Patrimonial (GAEPP), que identificou um esquema estruturado de lavagem de dinheiro. Conforme os investigadores, o grupo operava como uma espécie de “banco paralelo”, misturando valores oriundos do narcotráfico e de outras atividades ilícitas com recursos inseridos em empresas aparentemente legais, como redes de supermercados e outras pessoas jurídicas criadas para ocultar a origem do dinheiro.
A decisão judicial alcança imóveis de alto padrão, incluindo apartamentos de luxo, prédios comerciais e residenciais, além de dezenas de terrenos situados em áreas de balneário e na capital gaúcha, Porto Alegre.
A investigação teve início em junho de 2024, com a deflagração da Operação Downtown. A ofensiva mirou hotéis e pensões utilizados como base logística para o tráfico na região central de São Paulo.
Segundo a polícia, os entorpecentes eram armazenados de forma fracionada em quartos estrategicamente escolhidos para dificultar a localização durante fiscalizações. Parte desses estabelecimentos estaria registrada em nome de integrantes da facção ou de terceiros usados como “laranjas”, prática comum para mascarar a propriedade real dos bens.
Ainda conforme as investigações, alguns proprietários que não possuem vínculo direto com a organização criminosa também teriam permitido o uso de seus estabelecimentos para armazenamento de drogas, recebendo pagamento pelo serviço prestado de forma clandestina.
As autoridades seguem aprofundando as apurações para identificar todos os envolvidos e ampliar o rastreamento do patrimônio suspeito.