Por: Jornalista Marciel Nogueira
Em meio ao barulho constante do trânsito e à rotina exaustiva de quem vive sobre duas rodas para garantir o sustento, uma cena de violência mudou drasticamente a vida do motoboy Felipe Brito, em Mossoró.
Na noite do último domingo (8), na movimentada Avenida João da Escóssia, o que começou como mais um dia comum de trabalho terminou em agressões que levaram o trabalhador à mesa de cirurgia. Ainda em recuperação, Felipe tem compartilhado detalhes do ocorrido, expondo não apenas os fatos daquela noite, mas também a dor física e emocional que carrega desde então.
Segundo o relato, ele seguia em serviço quando tentou ultrapassar dois motociclistas que trafegavam lado a lado, conversando e ocupando a faixa da esquerda. Um deles levava uma mulher na garupa. Felipe buzinou e pediu passagem — gesto comum para quem vive contra o relógio fazendo entregas. O pedido, no entanto, teria sido interpretado como provocação.
O que era apenas uma tentativa de seguir viagem se transformou em discussão. De acordo com o motoboy, os dois homens passaram a acompanhá-lo por alguns metros. Ao parar a motocicleta e descer na tentativa de encerrar o desentendimento, ele acabou sendo violentamente agredido.
As imagens de uma câmera de segurança, divulgadas dois dias depois, expuseram a brutalidade da cena e provocaram forte comoção nas redes sociais. A repercussão foi imediata. Colegas de profissão se mobilizaram em atos de protesto, cobrando justiça e mais respeito à categoria, que enfrenta diariamente riscos no trânsito para garantir o próprio sustento.
Felipe segue se recuperando após passar por cirurgia. Em sua fala, fez questão de agradecer as mensagens de apoio e a solidariedade dos motoentregadores, que se uniram em defesa do companheiro.
A Polícia Civil instaurou inquérito para apurar o caso e identificar os responsáveis pelas agressões. Enquanto a investigação avança, a história do motoboy reacende um debate urgente: a violência no trânsito e a vulnerabilidade de trabalhadores que dependem das ruas para sobreviver.
