Caicó amanheceu mais silenciosa. Onde antes havia o espelho d’água que alimentava sonhos, hoje resta o eco seco da ausência. O Açude Itans, símbolo de vida, resistência e esperança para o Seridó, está completamente vazio. No porão do reservatório, em um cenário que dói na alma, o ex-prefeito de Caicó, Bibi Costa, gravou um vídeo que não é apenas um registro — é um grito contido de um povo que convive há gerações com a seca.
Caminhando pelo fundo rachado do açude, Bibi não fala apenas como ex-gestor, mas como filho da terra. Cada palavra carrega o peso da história de Caicó e do Seridó. Ali, onde a água costumava sustentar famílias, rebanhos e lavouras, hoje há poeira, pedras expostas e um vazio que vai além do físico. É o retrato cruel da seca que insiste em castigar a região.
Veja vídeo;
O Itans sempre foi mais que um reservatório. Foi segurança hídrica, foi futuro planejado, foi alívio nos anos bons e esperança nos anos difíceis. Vê-lo seco é como ver o coração do Seridó batendo mais fraco. No vídeo, Bibi relembra que a seca não é novidade, mas que o abandono, a falta de planejamento e a ausência de políticas públicas eficazes tornam o drama ainda mais doloroso.
A gravação feita no porão do açude impressiona justamente pela simplicidade e pela verdade. Não há efeitos, não há encenação. Há apenas a realidade nua e crua: a seca que expulsa jovens do campo, que ameaça a dignidade das famílias, que transforma a luta diária pela água em um desafio de sobrevivência.
“Falar da seca não é olhar para trás, é pensar no futuro”, reforça Bibi no vídeo. E o futuro, segundo ele, só pode ser construído com diálogo, responsabilidade e compromisso real com o Seridó. Ouvir quem vive no campo, planejar soluções duradouras e tratar a segurança hídrica como prioridade absoluta não é opção — é necessidade.
O drama do Itans vazio é o drama de Caicó. É o retrato de um povo forte, mas cansado de promessas. O vídeo de Bibi Costa emociona porque revela aquilo que muitos sentem e poucos conseguem expressar: a seca não seca apenas a terra, ela testa a esperança. E, ainda assim, o Seridó resiste, esperando que da consciência e da ação brote, novamente, a vida.
