Por: Marciel Nogueira
À medida que o calendário eleitoral de 2026 se aproxima, o Rio Grande do Norte entra em uma das fases mais estratégicas e imprevisíveis da disputa: a formação das nominatas que definirão quem realmente terá fôlego para brigar por uma das vagas na Câmara Federal. Nos bastidores, líderes partidários admitem que a eleição para deputado federal no estado deve ser uma das mais acirradas das últimas décadas — e que “muita água ainda vai rolar” até a consolidação dos nomes que estarão nas urnas.
Pressão sobre os partidos: nominatas fortes ou risco real de não eleger
Com o fim das coligações proporcionais, o peso das chapas internas cresceu. No RN, onde o quórum eleitoral é apertado e a margem de erro mínima, cada nome conta. Partidos como PL, PSD, PT, Republicanos e União Brasil já trabalham em ritmo acelerado para montar grupos competitivos, buscando equilíbrio entre puxadores de votos e candidatos medianos capazes de completar o coeficiente.
A movimentação é intensa:
– O PL tenta reeditar a força de 2022, e segue firme e forte montando sua nominata.
– O PT, fortalecido nacionalmente, busca ampliar representação no RN e aposta na capilaridade nos municípios.
– Republicanos e União Brasil articulam alianças informais e sondagens discretas para atrair candidatos com histórico de votação expressiva.
– PSD e MDB operam com cautela, mas já mapearam potenciais “puxadores” e articulam reforços regionais.
Renovação x manutenção: o tabuleiro ainda está aberto
Especialistas avaliam que há um cenário de renovação espontânea, impulsionado por novos nomes ligados às redes sociais, áreas de segurança pública e segmentos religiosos. Ao mesmo tempo, políticos tradicionais tentam preservar espaço, amparados por bases eleitorais estruturadas.
O eleitorado potiguar, historicamente sensível a temas como segurança, economia e administração municipal, tende a reagir de forma decisiva a movimentos de última hora, especialmente nos 120 dias finais antes das eleições.
O fator regional: Seridó, Oeste e Grande Natal como campos decisivos
A divisão regional também será determinante. Seridó, Oeste e Grande Natal permanecem como polos estratégicos para multiplicação de votos, especialmente para candidatos com forte presença territorial. Partidos já disputam lideranças locais, prefeitos aliados e formadores de opinião. Cada apoio conta.
Previsão: eleição fragmentada e imprevisível
No cenário atual, analistas apontam para uma eleição fragmentada, disputada voto a voto, com capacidade real de surpresas tanto na entrada quanto na saída de nomes considerados favoritos. A montagem das nominatas será o fator mais crítico — e quem errar na engenharia partidária pode simplesmente ficar fora do jogo.
Até lá, o cenário deve permanecer em ebulição. Como diz um experiente articulador político potiguar:
“O RN ainda vai viver muitas reviravoltas. A nominata certa vale mais que discurso. E muita água ainda vai rolar.”
