Emprego desacelera no RN e expõe limites da política econômica do governo estadual

Comércio de rua no bairro do Alecrim, em Natal — Foto: Augusto César Gomes

Os números do Novo Caged referentes a 2025 colocam o Rio Grande do Norte diante de um dado que merece mais do que comemoração protocolar: embora o saldo de empregos formais tenha permanecido positivo, a criação de apenas 15,8 mil vagas ao longo do ano representa o pior desempenho desde o período mais agudo da pandemia. O dado não é trivial — ele revela uma desaceleração persistente e estrutural da economia potiguar.


A comparação com os anos anteriores reforça o alerta. Em relação a 2024, a queda supera 53%, e o desempenho fica aquém de todos os resultados observados desde 2021. Não se trata, portanto, de uma oscilação pontual, mas de uma tendência que se consolida. O mercado de trabalho cresce, mas perde fôlego em ritmo acelerado.
O argumento de que o Rio Grande do Norte “acompanha a tendência nacional” é, no mínimo, insuficiente. O Brasil fechou 2025 com mais de 1,27 milhão de novos empregos formais, e todas as unidades da federação registraram saldo positivo. Nesse contexto, crescer menos não é virtude — é sintoma. Estados com estruturas produtivas semelhantes ou até mais frágeis conseguiram desempenho proporcionalmente superior, o que enfraquece a tese de que fatores externos explicam, sozinhos, o resultado potiguar.


O que os dados sugerem é uma limitação da estratégia adotada pelo governo estadual para estimular a atividade econômica. Falta dinamismo em políticas de atração de investimentos, previsibilidade regulatória e capacidade de articulação com o setor produtivo. O RN segue excessivamente dependente do consumo público e de setores tradicionais, sem conseguir transformar potencial em crescimento sustentado.
Além disso, a lentidão na execução de projetos estruturantes e a dificuldade em criar um ambiente favorável aos negócios acabam restringindo a geração de empregos de maior qualidade e duração. O resultado é um mercado de trabalho que avança por inércia, não por impulso.
O saldo positivo evita o discurso de crise aberta, mas não autoriza complacência. Pelo contrário: o desempenho de 2025 funciona como termômetro de uma economia que perdeu tração e de uma gestão pública que parece mais ocupada em administrar o presente do que em planejar o futuro.


Se o governo do Rio Grande do Norte não rever prioridades, acelerar decisões e assumir uma postura mais ativa no estímulo à atividade econômica, o risco é cristalizar um modelo de baixo crescimento — com emprego escasso, renda limitada e pouca capacidade de reação a choques externos. Os números do Caged não são apenas estatística: são reflexo direto das escolhas feitas — e das que deixaram de ser feitas.