O caminhoneiro Jeferson Alves Soares, de 36 anos, atropelou uma moto e fugiu sem prestar socorro. A mulher morreu no hospital e o marido foi arrastado durante 30 quilômetros, mas sobreviveu.

A Polícia Rodoviária de Santa Catarina afirmou que o motorista do caminhão estava sob efeitos de psicotrópicos, não conseguia articular as palavras e mal parava em pé.

No vídeo gravado horas antes de atropelar o casal, o caminhoneiro aparece na cabine dançando e cantando com luzes fluorescentes. Ele morde a própria boca repetidas vezes. Foi apreendida uma porção de cocaína dentro do veículo.

“A gente desconfiou e fomos até a cabine da carreta. Chegamos lá, tinha 0,7 gramas de substância que a gente descobriu depois num teste de reagente que era cocaína. E ele também confessou que ingeriu em torno de oito substâncias conhecidas como rebite, as anfetaminas, e também associou a remédios antidepressivos”, conta o policial rodoviário Émerson de Castro.

Jeferson Soares é funcionário de uma empresa gaúcha e estava indo de São Paulo para Chuí, que fica no Rio Grande do Sul, onde deixaria a carga que carregava. Na delegacia, dele admitiu que estava sem dormir há mais de 24 horas. Ele ainda afirmou que não se lembrava do acidente e que pensava “estar em um sonho”.

Filme de terror

Sandra Aparecida Pereira, de 47 anos, estava como passageira na moto. Ela sofreu traumatismo craniano e não resistiu a duas paradas cardíacas no Hospital Marieta Konder Bornhausen, em Itajaí (SC).

O marido, Anderson Antônio Pereira, de 49 anos, precisou escalar a cabine da carreta e se pendurar na porta até que o caminhoneiro parasse. A moto ficou engatada no para-choque da carreta e foi arrastada pela rodovia.

Anderson declarou que o caminhoneiro desferiu socos contra ele no momento em que estava pendurado no caminhão .

“Ele me contou que ficou desacordado por alguns instantes. Quando acordou, tentou entender o que havia acontecido, logo ele viu que a esposa não estava atrás e, com o caminhão em alta velocidade, decidiu escalar o veículo. Ele conseguiu chegar na porta do motorista e chorando, pediu para ele parar”, contou o primo de Anderson.

“O Anderson falou: ‘Para, para minha esposa, a moto não importa’. Mas o motorista ria e dava socos”, revelou o primo do motociclista.

Anderson e Sandra

“Segurei firme”

Em entrevista ao Fantástico, Anderson relembra o momento após o acidente. “Eu perdi a consciência e fiquei desmaiado em cima do tanque da motocicleta. Acordei, um momento de muita confusão mental. Eu tava ouvindo um barulho de caminhão bem atrás de mim. Fui olhando, me levantando do tanque.”

“Fiquei de frente pro caminhão, pro motor, e o motorista indiferente a qualquer coisa mantendo a velocidade. Andei mais pro lado um pouco e parei do lado: ‘moço, para esse caminhão, diminui a velocidade, deixa eu descer, eu preciso descer’. Esbofeteou meu rosto, eu segurei firme”, conta o motociclista.

Anderson relata o momento em que conseguiu pular do caminhão: “Chegou uma subida, o caminhão dele tava carregado, o caminhão perdeu velocidade. Eu tomei a decisão de pular pro chão pra poder escapar. A única coisa que o motorista me dizia era: ‘vai morrer, vai morrer. Quer morrer? Vai morrer.’”.

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