Golpe do emprego: a cada minuto duas vagas falsas são enviadas para celulares

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Está cada vez mais difícil encontrar alguém que nunca tenha recebido no celular uma mensagem, via SMS, WhatsApp, ou direct message nas redes sociais, com a oferta de uma tentadora – e falsa! – vaga de trabalho. O motivo é que, a cada minuto, dois golpes desse tipo são aplicados no Brasil, informa Marco de Mello, CEO da PSafe, no blog da empresa de segurança digital.

Esses golpes existem por um simples motivo: eles dão certo. Há anos, hackers e golpistas com um bom conhecimento de programação para dispositivos móveis contam com um ambiente favorável para a prática desse tipo de fraude, e o número de tentativas e de vítimas só aumenta. Segundo levantamento da empresa PSafe, entre setembro de 2021 e fevereiro de 2022 foram detectadas mais de 600 mil tentativas de fraude, uma média de 120 mil por mês.

Com 11,3 milhões de pessoas fora do mercado de trabalho no país, o que corresponde a uma taxa de desemprego de 10,5%, medida no trimestre encerrado em abril de 2022, conforme divulgou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) na terça-feira (31), existem sujeitos que se aproveitam do desespero de quem busca um meio de ganhar a vida honestamente.

Imagem: reprodução

“Esses golpes nascem da necessidade, os fraudadores acabam aproveitando o momento crítico que nós estamos vivendo, e buscando as pessoas pela necessidade. Mas, há várias pistas, um conjunto de coisas para identificar que as vagas falsas. Primeiro, não é comum existir recrutamento por meio de mensagens e, na comunicação entre o RH e o candidato, a empresa nunca inicia o processo com uma mensagem informal. Só por isso, já dá para desconfiar”, ensina Renan Conde, diretor da Brasil Factorial, empresa de gestão de recursos humanos e departamento pessoal.

A popularização dos smartphones também faz do Brasil um verdadeiro paraíso para os fraudadores: são 242 milhões de aparelhos, segundo levantamento que a FGV (Fundação Getúlio Vargas) apresentou no último dia 26. Como há pouco mais de 214 milhões de pessoas vivendo no território nacional, de acordo com dados do IBGE, isso significa que existe mais de um celular por habitante no país, ou seja, tem mais smartphone que gente no Brasil.

Os golpes mais enviados para celulares atualmente usam nomes de empresas grandes e conhecidas, oferecem vagas que exigem pouca ou nenhuma qualificação, com promessa de flexibilidade de horário, possibilidade de trabalho em home office, e remuneração que pode ultrapassar os R$ 5 mil. Na maioria das vezes, quem recebe a mensagem já foi selecionado, mas ainda precisa fazer “mais alguma coisa”, e é aí que está o golpe.

Essa “tarefa a mais” pode ser algo bem simples, como clicar em um link, que provavelmente vai direcionar a pessoa para um site falso, com uma ficha de cadastro a ser preenchida, onde todos os dados pessoais do “candidato” serão armazenados. Ou, então, o link vai permitir o download de algum software que consiga acessar os aplicativos que guardam as informações salvas no celular, inclusive confidenciais, como as bancárias.

Também há casos em que o dono do aparelho perde o acesso à própria conta dos aplicativos de mensagens instantâneas (WhatsApp e Telegram), ou das redes sociais. Depois, elas são usadas pelos impostores para extorquir pessoas da rede de contatos da vítima. Outra possibilidade é o fraudador convencer o usuário a fazer um pagamento, por transferência bancária ou Pix, referente a um exame admissional, curso ou treinamento, mesmo sem ainda ter sido contratado. A criatividade de quem comete esse tipo de crime não tem limites.

Quem está em busca de trabalho não deve acreditar em ofertas que parecem boas demais. O diretor da empresa de RH Brasil Factorial alerta para mais indícios que podem ajudar a identificar as fraudes. “Geralmente, quem está procurando emprego não é acionado para vagas para as quais nunca se candidatou. Esse é um ponto importante”, diz. Conde também fala que os valores oferecidos como salário e o ganho por hora, que aparecem nesses anúncios, são elementos que distanciam as ofertas falsas das seleções para empregos reais.

R7

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