A escalada da criminalidade que atinge diferentes regiões do RN volta a se refletir no cotidiano de comerciantes da capital potiguar. Em Natal, uma loja localizada na Avenida Salgado Filho, no bairro Lagoa Nova, foi alvo de dois arrombamentos em menos de 30 dias — um retrato da insegurança que assola o RN e desafia o poder público.
Mesmo situada em área de intenso fluxo e monitoramento por câmeras, a loja não escapou das ações criminosas. Conforme relato do proprietário às autoridades, o primeiro caso ocorreu em 24 de janeiro, quando quatro homens teriam participado da invasão, resultando em prejuízo estimado de R$ 20 mil.
Na segunda ocorrência, registrada na madrugada de uma segunda-feira, imagens do circuito interno mostram um homem que inicialmente aparenta estar deitado na calçada e, em seguida, força a vidraça até conseguir entrar no estabelecimento. O caso foi formalmente comunicado e segue sob investigação.
Os episódios, ainda sob apuração, reforçam uma percepção crescente entre empresários: a de que o risco deixou de ser eventual e passou a integrar a rotina. A reincidência em curto intervalo evidencia falhas na prevenção e na presença ostensiva do Estado, sobretudo em corredores comerciais estratégicos.
Não se trata apenas de um caso isolado, mas de um sintoma de um problema estrutural. Quando um mesmo endereço é violado duas vezes em menos de um mês, o debate deixa de ser pontual e passa a exigir resposta institucional. A instalação de grades e barreiras físicas, já considerada pelo comerciante, simboliza o recuo do espaço público diante do avanço da criminalidade.
Em um país onde a insegurança impacta investimentos, empregos e a confiança social, episódios como esse reforçam a necessidade de políticas integradas de inteligência, policiamento preventivo e respostas rápidas. A normalização da reincidência criminosa não pode ser aceita como parte inevitável da vida urbana.
