Luto na cultura nordestina: morre no Rio de Janeiro o cantor e poeta mossoroense Marcus Lucenna

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A cultura nordestina amanheceu de luto. Morreu nesta quinta-feira (5), no Rio de Janeiro (RJ), aos 68 anos, o cantor, compositor e poeta mossoroense Marcus Lucenna. Segundo informações, o artista sofreu uma parada cardíaca dentro de sua residência e acabou não resistindo.

Natural de Mossoró, no Rio Grande do Norte, Marcus construiu uma trajetória marcada pela valorização da música e da literatura popular nordestina, levando sua arte para diferentes regiões do Brasil.

A última visita do artista à sua terra natal aconteceu no início deste ano. Na ocasião, ele esteve em Mossoró gravando um programa especial com artistas locais para a TV Metrópole, emissora de Fortaleza (CE), onde apresentava um projeto voltado à cultura nordestina.

O poeta, escritor e jornalista Caio Cézar Muniz, que participou das gravações, lamentou profundamente a morte do amigo e relembrou com emoção o último encontro com o cantor.

Segundo ele, o momento foi marcado por alegria e celebração da arte mossoroense.

“Há cerca de um mês estávamos gravando o que talvez tenha sido o último programa de TV dele. Marcus me pediu para reunir alguns artistas de Mossoró que ele queria apresentar ao mundo. Foi uma tarde inteira de muita alegria. Parecia até uma despedida da cidade”, escreveu.

Trajetória marcada pela cultura nordestina

Apelidado de “Cantador dos Quatro Cantos”, Marcus Lucenna ganhou esse título por causa de sua longa caminhada artística pelo país.

Ainda muito jovem, em 1977, ele deixou Mossoró e seguiu para o Rio de Janeiro, onde chegou com apenas 16 anos, decidido a transformar o sonho da música em realidade.

Declaradamente admirador de Luiz Gonzaga, a quem costumava chamar de “mestre”, Marcus começou sua jornada artística cantando no famoso calçadão de Copacabana. Ali, com sua voz, poesia e carisma, conquistou não apenas cariocas, mas também turistas de várias partes do mundo.

Foi nesse ambiente que ele começou a se aproximar de figuras importantes da música e da cultura no Rio de Janeiro, abrindo portas para novos projetos.

Em 1989, lançou seu primeiro LP, “Cantolínia Psicordélica”, pela gravadora Polygram, considerada na época uma das maiores do mundo. O disco contou com a participação de músicos renomados da música nordestina e da MPB, como Joca de NatalZé Américo e Severo do Acordeon.

Além da carreira musical, Marcus também teve forte atuação no rádio, sendo responsável por dirigir e apresentar alguns dos primeiros programas dedicados ao forró em horário nobre no Rio de Janeiro, contribuindo para difundir o ritmo nordestino no Sudeste.

Apaixonado pela literatura popular, especialmente pelo cordel, ele ocupava a cadeira nº 7 da Academia Brasileira de Literatura de Cordel (ABLC), instituição dedicada à preservação e valorização dessa importante manifestação cultural.

Marcus Lucenna era casado e deixa cinco filhos.

O corpo está sendo velado no Centro Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas, no Rio de Janeiro, e a cremação acontecerá em uma cerimônia reservada apenas para familiares.