No Rio Grande do Norte, a saúde pública segue fiel à própria tradição: quem entra no Hospital Walfredo Gurgel nunca sabe se vai encontrar médico, leito — ou um tomógrafo funcionando. Pela segunda vez só em janeiro, o equipamento que deveria salvar vidas resolveu pedir licença médica. De novo.
A justificativa oficial veio rápida, como sempre: queda de energia. Curioso é que a energia cai, o tomógrafo quebra, mas a conta da ineficiência segue firme, paga diariamente pela população. O hospital é o maior do estado, mas o parque tecnológico parece viver à base de improviso e oração.
Enquanto isso, pacientes graves fazem turismo forçado entre hospitais, como se deslocamento fosse parte do tratamento. O novo tomógrafo, entregue desde dezembro, continua sendo apenas uma bela promessa — dessas que funcionam melhor no discurso do que na tomada.
No fim das contas, o governo do Estado garante que “está resolvendo”. Só esquece de avisar quando. Porque, para quem está na maca, tempo não é detalhe técnico — é a diferença entre diagnóstico e tragédia.
E assim segue a saúde pública potiguar: resistindo, não por planejamento, mas por milagre.
