Por: Jornalista Marciel Nogueira
Poucos nomes na história política do Rio Grande do Norte se confundem de maneira tão profunda com a própria trajetória do Estado quanto o de Vivaldo Costa. Médico por formação, político por vocação pública e seridoense por identidade, Vivaldo construiu uma biografia que atravessa décadas sem jamais se afastar daquilo que sempre guiou seus passos: o compromisso humano com as pessoas.
Nascido em 1º de novembro de 1939, em Caicó, no coração do Seridó, aprendeu cedo que servir é mais do que uma escolha — é um destino. Antes mesmo de ocupar cargos eletivos, já exercia um papel central na vida de milhares de famílias ao dirigir, por décadas, o Hospital do Seridó, referência em atendimento médico e acolhimento em toda a região.
A política surgiu como consequência natural dessa relação direta com o povo. Eleito para a Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte em 1975, Vivaldo Costa iniciou uma trajetória parlamentar que se tornaria uma das mais longevas e respeitadas da história potiguar. Sua atuação sempre foi marcada pelo diálogo, pela firmeza e pelo conhecimento profundo das realidades do interior do Estado.
Em abril de 1994, o destino lhe reservou um dos capítulos mais emblemáticos de sua vida pública. Com a renúncia do então governador José Agripino Maia, que deixava o cargo para disputar o Senado Federal, Vivaldo assumiu o comando do Executivo estadual, tornando-se o 23º governador do Rio Grande do Norte. Governou até 31 de dezembro de 1994, conduzindo o Estado com equilíbrio e serenidade em um período de transição política delicada.
Mesmo após ocupar o mais alto posto do Executivo potiguar, Vivaldo jamais se distanciou de suas origens. Em 1996, voltou a disputar as urnas em Caicó, sua cidade natal, sendo eleito prefeito pelo voto popular — um gesto de reconhecimento e confiança raramente concedido a quem já percorreu os mais altos degraus da política estadual.
Sua experiência administrativa também deixou marcas na capital. Em 1999, integrou a gestão da prefeita Wilma de Faria, assumindo inicialmente a Secretaria de Promoção Social e, posteriormente, a Secretaria Municipal de Saúde de Natal, onde voltou a unir técnica médica, sensibilidade social e capacidade de gestão.
No Parlamento, Vivaldo foi além do mandato. Presidiu a Assembleia Legislativa entre 1989 e 1991, exercendo papel decisivo no período da Constituinte Estadual de 1989, quando ofereceu apoio político e institucional para que o então deputado Arnóbio Abreu conduzisse os trabalhos que moldaram a atual Constituição do Estado.
Em julho de 2024, Vivaldo Costa retornou ao parlamento estadual para exercer seu décimo mandato. Para aliados e observadores da cena política potiguar, não se trata apenas de mais um retorno, mas da reafirmação de uma trajetória rara: a de quem atravessa gerações sem perder a coerência, o respeito e a ligação direta com o povo.
E o futuro pode reservar novos capítulos. Nos bastidores da política, cresce a avaliação de que em 2026, caso a governadora Fátima Bezerra renuncie ao cargo para disputar uma vaga no Senado Federal e o vice-governador Walter Alves opte por não assumir o Governo do Estado, Vivaldo Costa surge como um nome com grande chance de voltar a governar o Rio Grande do Norte. Para muitos, seria o reencontro simbólico de um líder experiente com um Estado que atravessa desafios complexos e demanda equilíbrio, diálogo e sensibilidade social.

Em um cenário político marcado por volatilidade e descrença, Vivaldo Costa permanece como um elo entre passado, presente e futuro — um homem que fez da política uma extensão do cuidado médico e da vida pública uma missão de afeto com o povo do Seridó e do Rio Grande do Norte.
Sua história não se resume aos cargos ocupados, mas à constância de um propósito. E é por isso que, para muitos potiguares, Vivaldo Costa não é apenas um político. É memória viva, é referência histórica e é, acima de tudo, humanidade em forma de serviço público.
